O dia e hora em que nos veremos sem muita graça para algo além de um abraço e desejos de boa sorte pode está tão longe quanto o prenúncio de uma solidão espontânea, vislumbrada na vontade de manter portas e janelas fechadas para tudo lá fora. Quem saberá, enfim. Escondo retratos e cartas em gavetas que sei fora de uso para não me contaminar com essa saudade que entrou sem bater com as poesias de Vinícius de Moraes. Como pôde ele tão abusado antever sentimentos tão comuns; sentimentos que porventura sejam a nós, homens, puro reflexo de uma ansiedade amorosa, de conquista, dominação e despojo? Porque o olhar masculino se verte em olhares, em pisares que remetam a uma parte da infância antiga, quando o gosto feminino era apenas suposição de uma constância sentida numa brincadeira qualquer que se repetia, se repetia... Queima a pele essa vaidade que me veste pra disfarçar o desassossego que a fome desperta, numa inevitabilidade semelhante ao avanço das ondas ao entardecer.
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