Estávamos deitados no escuro, em face um do outro, ouvindo uma música que vinha de fora. Uns acordes preguiçosos, com arranjos de cordas acompanhando a guitarra durante o refrão, letra cerebral demais. Ela pergunta o que está acontecendo. Como posso responder se não estou presente nos melhores momentos da minha vida? Não me concentrava na melodia, exatamente. Abstraía quanto a novos dados e metodologia a serem explorados na pesquisa, uma redefinição do tema. Além da idéia para uma peça de teatro. Nasceu assim: um sonho em que eu era morto durante um assalto ao ônibus em que estava no Rio de Janeiro. The Backyard of My Life mostraria um homem sentado numa cadeira enquanto as folhas secas do outono caem ao seu redor, dando ares de despedida e reflexão. Sucessivamente, personagens vários aparecem e sentam ao lado dele, dialogando sobre o passado e perspectivas sobre coisas que não acontecem. É meio onírico, porque você não sabe se ele está sonhando ou efetivamente morreu e presta contas com sua vida. O significado que ela tem, os símbolos inseridos nela. Sei que preciso aprofundar o conteúdo, embora as categorias de entendimento indicadas me pareçam suficientes. Diante do meu silêncio, ela indaga outra vez o que está acontecendo. Eu simplesmente não sei.
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