quinta-feira, 12 de novembro de 2009

#3: Construção de personagem

Pergunto-me porque ajo pela manutenção do status quo de maneira tão desavergonhada. Eu fico de canto até que a roupa de caçador seja apropriada o bastante no meu corpo e eu siga minha vontade de carregar a arma e disparar. O corpo faz, mas a mente silencia. Qual parte seria mais hábil para definir minha identidade? O intelecto é soberbo e sôfrego, instantâneo no jeito de gravar imagens, palavras e pessoas. Sei que o corpo é apenas o corpo, sem extensões. Sou isto então: a soma de cada miséria. De cada tique, vírgula e separação. A moça tatuada parece concordar comigo. Ela olhava-me à distância. Com seus olhos fundos. Fixados em mim, pareciam cavar reminiscências que eu mesmo ignoro. Fujo do combate, fico apenas com sua pele tatuada na cabeça, os lábios frágeis, de dizer muito pouco sem contato. Agora, mantenho sensações por memória por no fim sua pele, tatuada ou não, não deixou de ser apenas parte do corpo. De todo um corpo, imaginário assim.

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