O sentimento de esforço explicado como um fim em si me perturba profundamente. Qual seria o objeto sem causa do usufruto de todo empenho, seja físico ou cognitivo? Qual, afinal, valeria a pena nesses termos? Tenho observado que, entretanto, essa razão é a que se aplica no funcionamento do mundo ultimamente. Um mundo sem reflexão. Ontem sentei-me e olhei distraído para pássaros e pessoas, todas tão apressadas, perdidas e tolas. Era parte daquele quadro, um tolo também, de vozes e gestos sem importância, um palhaço a não ser levado à sério. Porque eu não me exigia; porque eu não me existia.
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