sexta-feira, 20 de novembro de 2009

#12: Construção de personagem

Quantos milhares de quadros na História (e outros mais que houverem) retratam a beleza da mulher assim, entre a inocência do sono ou descanso e a libidinagem que sua nudez desperta. Mulheres, de muitas formas e belezas, num deleite do prazer onírico, com um sorriso vestigial no rosto, a pose relaxada, além de um sempre conveniente pano ( um lençol) a cobrir detalhes plácidos de sua carne. E eis-me aqui a contemplar tal imagem em silêncio e, voltando à evocação das pinturas clássicas, como muitos mostram, me imagino, na visão de um observador exterior à cena, posto a um canto, encaixado na ótica do subterfúgio próprio dos voyuers, bisbilhotando algo proibido, secreto, mas ao mesmo tempo com um poder de atração sem igual, tornando inevitável, a apreciação da beleza feminina sem o conteúdo do toque. Além da vista apenas a imaginação tecendo nós entre as fantasias que as linhas corporais despertam. Fantasias que acompanham o contorno dos pés, das pernas e sua harmonia com os quadris, subindo então às costas e o encaixe de todo o peso na cama, a distribuição da volúpia sendo alterada na percepção do desejo. E entre a vertigem e a saciedade, gravo na memória o momento alimentando a produção de significados.

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